Qualquer aparelho ligado a uma tomada de parede volta a converter a corrente alternada em corrente contínua de baixa tensão. Numa van, num barco ou num edifício isolado, isso significa que a sua energia faz DC → AC → DC, perdendo energia em cada passo. Alimentar esses aparelhos diretamente do seu sistema de corrente contínua elimina duas conversões — e muitas vezes um inversor inteiro — da cadeia.

Comece aqui

Leia a etiqueta da fonte de alimentação que já utiliza. Indica os dois números que importam: a tensão de saída (por exemplo 12 V, 19 V ou 5 V) e a corrente de saída em amperes. Multiplique-os para obter watts e acrescente margem. É essa a especificação do conversor de que precisa — nem mais, nem menos.

Porque é que DC para DC é melhor do que DC para AC e de volta

Uma instalação típica converte duas vezes antes de a energia chegar ao seu aparelho:

  1. Bateria 12 V DC → inversor → 230 V AC
  2. 230 V AC → a fonte do próprio aparelho → novamente 5 V ou 12 V DC

Os inversores têm normalmente um rendimento de 85–93 %, e as fontes pequenas muitas vezes pior, sobretudo quando trabalham bem abaixo da sua potência nominal. Cada passo transforma a diferença em calor. Um conversor DC-DC direto na faixa dos 94–98 % elimina ambas as conversões e o consumo em espera de um inversor que está ligado para uma única carga pequena.

Há um segundo benefício tão importante como o rendimento: um inversor tem de ser dimensionado para tudo o que possa ligar, e um deixado ligado por causa de um router desperdiça energia toda a noite. Um pequeno conversor dedicado pode ficar ligado permanentemente.

Respeite exatamente a tensão

É aqui que se danificam equipamentos se errar. A eletrónica de baixa tensão não é tolerante como um circuito de iluminação de 12 V.

  • Aparelhos de 5 V (computadores de placa única, hubs USB, algumas câmaras) esperam 5 V rigorosamente regulados. Aplicar-lhes 12 V destrói-os imediatamente.
  • Aparelhos de 12 V toleram normalmente cerca de 12–13,8 V, mas verifique a etiqueta — alguns são 12 V ±5 %.
  • Portáteis de 19 V e semelhantes precisam da tensão exata do seu adaptador. Use um modelo de saída regulável ou documentado para essa tensão e defina-a antes de ligar.
  • Aparelhos com fonte de rede incorporada — a maioria dos monitores de secretária e muitos aparelhos de áudio — não podem ser alimentados simplesmente em corrente contínua. Se o cabo de rede entra diretamente na caixa sem fonte externa, deixe-os em AC.

Polaridade

A corrente contínua tem um positivo e um negativo. Se os inverter, a maioria dos aparelhos fica imediatamente danificada, muitas vezes sem qualquer proteção. Verifique se a ficha é positiva ao centro (a convenção comum) ou negativa ao centro, e confirme-o com um multímetro antes de ligar algo caro.

Calcule a corrente necessária

Some os aparelhos que pretende alimentar a partir de um só conversor e acrescente margem para que não trabalhe no limite:

Cargas de exemplo — verifique as suas próprias etiquetas, estes valores são apenas ilustrativos
Aparelho Saída típica do adaptador Watts aprox.
Router pequeno ou ponto de acesso 12 V, 1–2 A 12–24 W
Gravador de vídeo em rede (NVR) 12 V, 2–5 A 24–60 W
Computador de placa única 5 V, 2–3 A 10–15 W
Hub de carregamento USB 5 V, 4–10 A 20–50 W
Terminal tipo Starlink varia; muitas vezes 48–57 V verifique a etiqueta

Procure que o conversor trabalhe a cerca de 60–80 % da sua capacidade nominal para a carga que espera na maior parte do tempo. Isso mantém-no mais fresco e deixa margem para um aparelho que consome mais no arranque do que em funcionamento.

Tenha em conta a queda no cabo

A baixa tensão, uma pequena resistência custa caro. Uma queda de 1 V numa alimentação de 12 V e 10 A são 10 W de calor no cabo — e o aparelho recebe 11 V em vez de 12 V, muitas vezes fora da sua tolerância. Um cabo curto e grosso resolve isto muito mais barato do que um conversor maior.

Proteja cada linha com um fusível do lado da bateria. O fusível protege o cabo, não o aparelho: dimensione-o segundo a corrente admissível do cabo.

Conversores recomendados para alimentar aparelhos em corrente contínua

Estes modelos cobrem os casos comuns: um rail de 5 V para eletrónica pequena, um rail de 12 V regulado para equipamento de rede e um elevador quando precisa de um rail mais alto do que o fornecido pela bateria.

Conversores para rails de alimentação

Para uma instalação estanque, ou se o conversor ficar num compartimento húmido, consulte na página do modelo a caixa e a proteção documentadas em vez de as presumir.

E o Power over Ethernet?

Power over Ethernet não é simplesmente «48 V no cabo». Um dispositivo PoE negoceia com o injetor ou o switch antes de a alimentação ser aplicada, e nem todos os aparelhos aceitam uma fonte fixa. Esta loja vende conversores elevadores capazes de produzir um rail de 48 V CC; são úteis para a distribuição em corrente contínua em geral, mas não presuma que alimentar um injetor PoE com uma fonte fixa de 48 V funcione com qualquer aparelho. Confirme primeiro os requisitos de entrada do injetor.

Uma ordem de trabalho sensata

  1. Liste os aparelhos e registe a tensão e a corrente de saída de cada adaptador.
  2. Agrupe-os por tensão. Não misture um aparelho de 5 V e um de 12 V no mesmo conversor, a menos que este tenha saídas separadas documentadas.
  3. Some os watts por grupo e acrescente 25–30 % de margem.
  4. Escolha o conversor cuja saída documentada corresponde ao grupo e cuja corrente nominal cobre o total.
  5. Coloque um fusível na bateria, use cabo curto e grosso, verifique a polaridade com um multímetro e ligue primeiro o aparelho mais barato como teste.

Perguntas frequentes

Posso alimentar o meu portátil a partir de uma bateria de 12 V?+

Normalmente sim, com o conversor certo. Muitos portáteis precisam de 19–20 V, pelo que precisa de um conversor elevador com saída regulável ou fixa documentada nessa tensão, além de uma ficha compatível. Verifique a etiqueta do adaptador para a tensão e a corrente exatas.

É seguro alimentar um router com 13,8 V quando indica 12 V?+

Muitas vezes é aceitável, porque muitos routers toleram 12–13,8 V, mas «muitas vezes» não é uma especificação. Se a etiqueta indica 12 V com uma tolerância, mantenha-se dentro dessa tolerância. Se indica apenas 12 V, use um conversor cuja saída esteja documentada a 12 V.

Ainda preciso da fonte do próprio aparelho?+

Não — está a substituí-la. Guarde-a para uso em bancada, mas o conversor DC-DC toma o seu lugar. O conversor tem de corresponder à tensão e poder fornecer pelo menos a corrente que a fonte fornecia.

Um conversor pode alimentar vários aparelhos ao mesmo tempo?+

Sim, se todos precisarem da mesma tensão e a corrente total se mantiver dentro da capacidade do conversor. Lembre-se de que aparelhos que partilham uma fonte partilham também as suas falhas, pelo que por vezes vale a pena um pequeno conversor separado para equipamento crítico.

Isto funciona com um alternador inteligente ou um sistema de lítio?+

O conversor apenas vê a tensão à sua entrada. Se a sua alimentação oscila muito — um alternador inteligente pode ficar bem abaixo dos 13 V, um pack de lítio de 48 V pode chegar aos 58 V — escolha um modelo de entrada ampla cujo intervalo documentado cubra toda a variação.

Os consumos indicados acima são exemplos ilustrativos, não especificações de um produto concreto. Leia sempre a etiqueta do equipamento que pretende alimentar. As características dos conversores indicadas nas páginas de produto são declaradas pelo fornecedor e não são testadas de forma independente pela PVShop.